Descanso da Alma: A Certeza do que se Espera

dezembro 14, 2008 às 6:01 pm | Publicado em Thiago Azevedo | 1 comentário
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“Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.” Hebreus 12.1,2

Escrevi certa vez sobre a dinâmica da mensagem do livro de Hebreus e como essa mensagem refletia na contemporaneidade através da ação. Vale recapitular que o principal objetivo da epístola é mostrar a superioridade de Cristo sobre todo o sistema judaico e que essa superioridade nos conduz a um único objetivo: O Descanso da Alma.

Esse processo de descansar a alma é defendido no capítulo 4 e que mesmo que essa seja a vontade de Deus, pela teimosia e ganância de alguns, esse descanso é impedido de chegar nos corações dos crentes, justamente porque ele foge da métrica religiosa e procura trabalhar com princípios que fogem a lógica, mas esse descansar em Deus, Jesus já havia focado no seu ministério quando afirma nas em Mateus 11.28 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.”, outra vez falou sobre o fardo.

“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” Mateus 11.29, 30

Jesus afirmou isso devido a dureza do coração dos religiosos de sua época que colocavam sobre os mais pobres, fardos que eram impossíveis de carregar:

“E ele lhe disse: Ai de vós também, doutores da lei, que carregais os homens com cargas difíceis de transportar, e vós mesmos nem ainda com um dos vossos dedos tocais essas cargas.” Lucas 11.46

Nesse mesmo sentido Hebreus se empenha em desenvolver a defesa em favor do descanso em Deus, pois como ele mesmo afirma que que Deus havia repousado de seu trabalho, semelhentemente nós também devemos nos empenhar em entrar em tal descanso e para fundamentar essa defesa, o autor utiliza o exemplo de Josué e Davi, o mesmo que escreveu o salmo 91 que começa justamente dizendo:

“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.” v1

Diante dessa defesa surge a pergunta, mas como poderemos encontrar esse descanso?

O autor dá a resposta afirmando no capítulo 10.38: “Mas o justo viverá da fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele.” essa é uma afirmação de Habacuque 2.4, esse mesmo texto foi utilizado pelo apóstolo Paulo quando em defesa da mensagem afirma:

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.” Romanos 1.16, 17

Essa mesma fé levou os irmãos leitores de hebreus a desenvolverem sua ação, onde eles demonstravam amor a palavra de Deus, principalmente no auxílio uns com os outros quando diz:

“Porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho do amor que para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos; e ainda servis.” 6.10

Apesar de que naquele momento os leitores não levavam em consideração essa ação como ato de fé, pois se fosse ao contrário o escritor não teria feito severas exortações e crítica sobre a postura que eles estavam tomando e também de como eles estavam no conhecimento da mensagem, pois eles ainda andavam nos rudimentos elementares, por isso tinham dificuldade de entrar nesse descanso que Deus havia proporcionado.

Então surgem duas perguntas cruciais para se achegar nesse descanso, Como podemos avançar na fé e como essa fé se manifesta?

A resposta começa no capítulo 11 quando ele trava uma definição de fé quando diz:

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.” v.11

E a partir disso o autor vai desenvolver o tema da fé utilizando dos exemplos que a história de Israel possuia e assim mostrar que todos eles alcançaram descanso por meio da fé. Cristo mostrou o que significava viver pela fé, quando afirma: “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Mateus 6.33. Esse sentido de estas coisas, estão relacionadas as necessidades básicas do homem: Comer, vestir e estar. Com isso Cristo nos leva para outra perspectiva de vida, a da prioridade.

O autor de Hebreus via nos seus leitores que eles estavam priorizando coisas que desviavam do principal objetivo, que era de entrar no descanso de Deus, por isso, desenvolve todo esse postulado cristológico e nesse argumento sobre a fé, ele esclarece que a fé precisa ter um objetivo, que é de entrar no descanso e também possui um elemento causador, Cristo, conforme podemos observar no Capítulo 12.2:

“Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.”

Se Cristo é o autor e consumador da fé, logo é impossível agradar a Deus sem a fé, pois dessa forma significa que não estamos em Cristo (Hebreus 11.6). E o tema se conclui com a seguinte expressão: “rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas”. Aqui o autor está afirmando que as testemunhas citadas no capítulo 11, nos motivam a deixar o embaraço e o pecado que nos impede de entrar nesse descanso de Deus para podermos agir com ousadia e ir em direção ao Pai e assim desfrutar desse repouso (Hebreus 10.19).

Resumindo, temos no livro de Hebreus três questões:
1.Objetivo: Entrar no descanso proposto por Deus (Hebreus 4.11);
2.Como podemos entrar nesse descanso? Somente por meio da fé (Hebreus 10.38)
3.O que significa somente por meio da fé? Pois ela nos motiva a avançar nos mistérios de Deus e assim podemos confiar com ousadia nele (Hebreus 11.1-3; 12.1-3)

Através do livro de Hebreus podemos entender o que significa para nós viver no descanso de Deus e qual a conseqüência desse descanso, passamos a priorizar a Justiça de Deus em nossas vidas e com isso vivemos no princípio máximo do cristianismo que é, amar a Deus sobre todas as coisa, toda tua alma, todo o teu entendimento e todo o teu coração e semelhante a isso, amar ao próximo como a ti mesmo. Pautado nesse descanso, esse amar ao próximo, faz com que nos desnudemos dos nossos dogmas, conceitos e pré-conceitos e com isso poderemos alcançar o princípio máximo do amor que se encontra em I Coríntios 13.

Então fecho esse raciocínio com Hebreus 4.11:

“Empenhemo-nos pois entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência.

Que o Deus que refrigera nossa alma e nos conduz ao descanso dela, possa nos motivar a entrar nesse repouso.

Thiago Azevedo

Fonte: www.descansodaalma.blogspot.com

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  1. Excelente artigo, precisamos de pessoas assim que falem a verdade, outro site com questões polêmicas é o http://www.contradicoesbiblicas.com.br


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