A Propagação do Evangelho
setembro 3, 2008 às 1:25 pm | Publicado em Thiago Azevedo | Deixe um comentárioTags: Propagação do Evangelho
“O motivo do nosso contínuo agradecimento a Deus é este: quando ouviram a Palavra de Deus que anunciamos, vocês a acolheram não como palavra humana, mas como ela realmente é, como Palavra de Deus, que age com eficácia em vocês que acreditam”. (1 Ts 2.13 – Palavra Pastoral)
No Novo Testamento o verbo mais característico para propagação é Kerissõ, que significa Proclamar como arauto. No mundo antigo, um personagem de extrema importância e com isso podemos imaginar o valor que o Novo Testamento dá à pregação do evangelho, pois como diz o texto bíblico: “Bem aventurado são os pés daqueles que proclamam essa mensagem“. No dicionário Pregar significa firmar, fixar com prego, fixar, unir, fitar, olhar fixamente, também está relacionado com a propagação do cristianismo, ou seja, pregar o evangelho de Deus significa fazer com que as pessoas olhem fixamente a mensagem de Cristo.
A história da propagação do Evangelho perpassa desde o Antigo Testamento desde os patriarcas, mas suas intenções eram diferentes, pois seu principal objetivo era de mostrar a relação de Deus com o homem e dar os subsídios para apresentar o nascimento de um povo que Deus chamará de Seu (Israel). Após esse processo, acompanhamos a mensagem propagada pelos profetas, estes, tinham o dever de mostrar ao povo a justiça de Deus, pois este povo andava em caminhos tortuosos, devido aos inúmeros exílios sofridos e com isso Israel abandona por diversas vezes os preceitos de Deus e com isso as conseqüências são inevitáveis e a mensagem dos profetas era de justamente mostrar ao povo o seu erro e que eles deveriam se arrepender.
Outro aspecto da pregação dos profetas era a de levar a mensagem da promessa do messias ao povo, do arauto de Deus que levará o povo de Israel à salvação e isso também leva a outra característica, que era a de apresentar um Deus vitorioso e grandioso diante dos outros deuses, podemos ver isso claramente no caso de Elias, onde ele enfrentou sozinho os profetas de Baal e onde Deus se apresenta como aquele que é maior do que qualquer coisa, maior que o universo.
Durante o mundo helênico, essa mensagem muda seu perfil, pois assume uma postura mais dialética, onde não é mais pelo poder físico, mas o argumento da palavra e o apelo ao coração assumem papel importante na pregação e quando Cristo vem ao mundo e começa seu ministério, inicia através da palavra, onde diz que o Reino de Deus veio ao mundo e que os homens devem ser conduzidos ao arrependimento, semelhantemente aos profetas do Antigo Testamento.
Nesse novo perfil, os verbos que se apresentam são Kerigma e Didachê, respectivamente, Proclamar aquilo que Deus fez e Ensinar as implicações que essa proclamação traz à conduta cristã. E esses dois verbos estão intrinsecamente ligados, pois um é apoiado no outro, pois sem a pregação não tem como haver ensino e vice-e-versa.
Após a descida do Espírito Santo, os apóstolos e todos os novos cristãos se sentem compungidos a pregar as boas novas de Cristo e esse sentimento foi marcado por inúmeras conversões, pois o amor que existia na igreja a motivava a agir, a crer com intensidade e acima de tudo, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, esse princípio mostra como era harmoniosa a vida na igreja, a partir do “compartilhar tudo e viver com tudo em comum e assim nenhum passava necessidade”, associar a palavra pregada com o cuidado, com o zelo com o próximo.
Essa pregação não era feita de forma desleixada, não era um recital relaxado de verdades “interessantes”, mas moralmente neutras, muito pelo contrário, essa mensagem representava o próprio Deus irrompendo nas atividades humanas e confrontando o indivíduo com a exigência de uma decisão. A pregação apostólica é marcada por essa verdade, onde a pregação representava a manifestação de uma vida nova em Cristo Jesus. (1 Co 1.17; 2,1-4).
Todos temos responsabilidades em “Kerigmar” esse evangelho, pois ele nos impulsiona a nos transformar continuamente e é através do Kerigma que Deus nos liga através do tempo, com suas ações que se manifestaram no passado, através da morte e ressurreição de Cristo e isso nos leva a outro ponto importante na pregação do evangelho, que ela sempre deve passar pelo Gólgota, pois esse episódio marca toda a razão da existência da humanidade e nesse Gólgota mostra o desembocar de toda uma saga da humanidade, onde todos os olhos do mundo estão voltados para esse momento, nesse sentido, nossa motivação está em mostrar a humanidade essa nova razão da existência do homem.
Kerigmar o evangelho nos leva a tomar posições diante do mundo, tão marcado pela secularização, relativização e desdém com essa mensagem de Cristo. O sermão do monte leva a esse tipo de reflexão onde deve-se buscar primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas. Justiça, no mesmo sermão Cristo fala sobre que aqueles que buscam, ou tem fome e sede de justiça, eles são bem aventurados, portanto serão saciados, esse posicionamento, essa fome e sede, reflete diretamente em nossa mensagem, sendo sal e luz do mundo, tal como Cristo nos colocou. Ser sal e luz reflete justamente esse princípio divino de nossa identidade enquanto igreja, como proclamadores da Justiça e do Reino de Deus na Terra. Continue Lendo A Propagação do Evangelho…
Blog no WordPress.com. | Tema: Pool até Borja Fernandez.
Entradas e comentários feeds.

